Um encontro entre engenharia e saúde

USP de São Carlos desenvolve impressão 3D de próteses

Quando promove o desenvolvimento humano, a engenharia encontra a plena razão de sua existência. Essa ideia tem se materializado no Laboratório Multidisciplinar da USP de São Carlos, onde há 2 anos, está sendo testada a impressão 3D de próteses em materiais como poliamida e policaprolactona em pó.

Uma das autoras do livro “Desenho Técnico Mecânico” (publicado pela Elsevier),  Zilda Silveira é professora do Departamento de Engenharia Mecânica, da Escola de Engenharia daquela universidade. Zilda atua no desenvolvimento de soluções construtivas e otimização de cabeçotes intercambiáveis para impressoras 3D portáteis, utilizando polímeros como matéria-prima. Trata-se de uma experiência inovadora, que faz uma interface importante entre engenharia e saúde. Ela afirma:

Na área de pesquisa, temos desenvolvido trabalhos de mestrado e doutorado em Tecnologia Assistiva, nome técnico para o que é popularmente conhecido como impressão em 3D. Isso porque percebemos uma lacuna entre a área de projeto mecânico/mecatrônico para o desenvolvimento de equipamentos e mecanismos aplicáveis às áreas de reabilitação e manutenção de movimentos básicos para indivíduos que apresentam diversas formas de restrições de movimento, incluindo idosos.

Segundo a professora, com máquinas de impressão 3D portáteis pode-se obter peças e montagens mecânicas concebidas e projetadas em várias disciplinas – Projeto Mecânico, Projeto Auxiliado por Computador, Projeto de Sistemas Mecatrônicos, Teoria e Metodologia de Projeto e Mecanismos – e auxiliar na manufatura de peças para os projetos Fórmula e Baja. Diz a pesquisadora:

Esse trabalho desenvolvido pela USP São Carlos é muito importante para a sociedade, pois segundo dados do IBGE, em pesquisa divulgada em dezembro, a expectativa de vida no Brasil subiu para 75,2 anos em 2014. Dessa forma, todas as iniciativas e pesquisas nesse campo são fundamentais para a melhor qualidade de vida da população com idade avançada, principalmente, os cidadãos de baixa renda. Nosso foco são usuários da rede pública de saúde, o SUS, e prover soluções de baixo custo para crianças e idosos.

Porém, eles não são os únicos a ser assistidos pela pesquisa.
Uma das mais desafiadoras doenças neurológicas também está sendo contemplada pelo projeto. Zilda acrescenta:

Desenvolvemos 3 trabalhos nessa área – dois mestrados da área de Engenharia Mecânica e uma co-orientação de doutorado na área de Bioengenharia, entre 2014 e 2016, ambos em processo de depósito de patente junto ao INPI – relativos ao desenvolvimento e geração de protótipos funcionais, utensílios de auxílio para alimentação de indivíduos acometidos pelo mal de Parkinson, e um equipamento de sustentação e movimentação de membros superiores.

Bases de dados: fonte de conteúdo fundamental para a iniciativa

Mesmo responsável por esse trabalho inovador no Departamento de Engenharia Mecânica da USP, Zilda Silveira não deixou, nem pretende deixar, a atividade em sala de aula. Todas as pesquisas e projetos realizados têm como base os estudos de produção, manufatura, mecatrônica, aeronáutica e automobilística apresentados pela professora aos seus alunos de Engenharia. Com sua experiência, a professora percebeu uma lacuna que dificultava o melhor entendimento das disciplinas. Ela explica:

Como ministramos aulas nas áreas de projeto e fabricação, sentíamos falta de um livro básico, que apesentasse ao aluno dos anos iniciais de Engenharia Mecânica e áreas afins uma visão sobre projeto e manufatura.

Dessa necessidade surgiu sua obra “Desenho Técnico Mecânico”, lançada em 2015. O conteúdo do livro foi gerado pela vivência de Zilda e pelos aprendizados obtidos a partir de informações contidas em bases de dados, classificadas por ela como fonte recorrente para suas pesquisas – e para a elaboração do livro.

É possível dizer que há uma simbiose entre o conteúdo do livro e o que é desenvolvido em laboratório, uma vez que não há limites claros de onde cada um começa ou termina. Neste caso, teoria e prática andam lado a lado e muitas vezes se misturam para atingir o resultado final: o bem-estar da população.