Todas as cargas a favor da sustentabilidade

Descobrindo como tornar o transporte de cargas mais sustentável

Uma das maiores fontes de poluição do ar é a fumaça exalada pelos meios de transporte movidos a combustíveis fósseis. O gasto de energia gerado por eles também é significativo.

Mas como pensar em progresso e desenvolvimento sem levar em consideração que matérias-primas e produtos industrializados precisam ser transportados de um lugar para outro – do centro de produção para o consumidor, por exemplo? Como fazer isso com o menor dano possível ao meio ambiente?

O professor Marcio D’Agosto vem buscando as respostas. Autor do livro Transporte, Uso de Energia e Impactos Ambientais, D’Agosto é especialista nesse assunto e estuda cotidianamente maneiras de investir na gestão sustentável do transporte de carga para apoio à prática da logística verde.

D’Agosto é também coordenador do Laboratório de Transportes de Cargas (LTC), vinculado ao Programa de Engenharia de Transportes (PET) da COPPE/UFRJ, que tem como objetivo ser reconhecido como um centro de excelência e referência em pesquisa avançada, desenvolvimento e difusão – por meio de avaliação técnica, econômica e socioambiental – de soluções sustentáveis para a área de transporte e logística e para o aprimoramento da formação de recursos humanos.

Segundo o professor, o LTC surgiu a partir da fusão de 2 áreas nas quais os pesquisadores da instituição atuam e têm excelência – logística e transporte e uso de energia e impactos ambientais.
O estudo coordenado por ele foca em 4 pontos específicos:

  1. Entender quais são as peculiaridades, semelhanças e diferenças entre os conceitos de logística sustentável, logística verde e logística de baixo carbono, bem como listar outros termos que sejam encontrados nas referências bibliográficas e possam ser associados a práticas semelhantes;
  2. Investigar um conjunto de práticas associadas à gestão sustentável do transporte de cargas;
  3. Entender como a gestão sustentável do transporte de cargas pode apoiar a prática da logística verde;
  4. Propor formas de aplicação da gestão sustentável do transporte de cargas para a cadeia de suprimentos de combustíveis fósseis, biocombustíveis e cadeia logística reversa de pneus inservíveis, caracterizando assim a prática da logística verde.

De acordo com o D’Agosto, o projeto considera como beneficiários do sucesso das ações o poder público (prefeituras e governos estaduais), a iniciativa privada (empresas embarcadoras de carga, transportadoras e operadores logísticos) e, principalmente, a sociedade. O objetivo é identificar boas práticas para o transporte de cargas que impactem a sustentabilidade socioambiental da logística sob a ótica de cada um destes atores.

Boas práticas identificadas na… prática

As áreas de pesquisa do LTC são Transporte Sustentável na Cadeia de Suprimento (TSCS), Transporte, Energia e Meio Ambiente (TEMA) e Centro de Estudos de Caminhões (CEC). D’Agosto descreve as diversas etapas de interação do projeto:

“Primeiro é preciso considerar um entendimento do problema, por meio de pesquisa bibliográfica. Para isso, usamos o método de Revisão Bibliográfica Sistemática – RBS. Em seguida, fazemos pesquisa de campo junto a parceiros institucionais, grandes empresas, de várias áreas. Vamos a campo ver como a operação de entrega ou coleta de cargas é feita. Conhecemos as dificuldades existentes e estimamos as soluções. Também são feitas entrevistas com os gestores das empresas e com os dirigentes do governo. Fazemos ainda um levantamento das condições de entrega e coleta de carga em áreas muito adensadas das cidades – fizemos no Rio, São Paulo, Boston, Nova York, Montevidéu etc. Tudo isso vai para um guia de boas práticas que será distribuído para os envolvidos a fim de ajudá-los a melhorar sua operação, trazendo benefícios sociais, como melhores condições de emprego e renda, e ambientais, como redução do consumo de energia, poluentes atmosféricos, ruído.

Quando perguntado sobre a importância de referências científicas para seu trabalho, o professor ressalta que ferramentas de pesquisa de informação referendadas estão no cerne da construção de seus estudos:

Usamos diversas fontes confiáveis, permanentemente. Em uma das principais bases de consulta, por exemplo, nossa comunidade tem acesso mais fácil e publica mais nos periódicos disponíveis. E todas são muito úteis!”

D’Agosto conta que, desde o ano 2000, trabalha fazendo experiências de campo com veículos, combustíveis e tecnologias limpas para os transportes e, em 2006, tornou-se professor exatamente da disciplina “Transporte, Uso de Energia e Impactos Ambientais” do curso de Engenharia Ambiental, e foi a partir desse momento que sua pesquisa começou a ser transformar em livro:

“Eu percebi a carência de um livro didático voltado para a graduação em engenharia e que pudesse me ajudar a passar toda esta experiência para os alunos. Assim surgiu o meu livro. Se você olhar no nosso site hoje, verá que tudo o que fazemos está ligado ao livro e vice-versa. Ele fundamenta os conceitos básicos da maior parte das pesquisas do LTC. A leitura – e os exercícios – são obrigatórios para todos os alunos. Nosso patrimônio de inovação, a ampliação de fronteiras do conhecimento presente em nosso trabalho, vem da combinação das informações das bases de dados com experiências de campo, no mundo. O mundo é o nosso laboratório de engenharia de transporte.”

De acordo com o autor, a obra baseou-se, literalmente, em sua experiência de vida, em “uma vida trabalhando com o TEMA”.

Veja que a palavra ‘tema’ aqui tem duplo sentido. Pode ser o que está no título do livro, mas também pode ser a siglaTransporte, Energia e Meio Ambiente, que são o tema do livro – é um trocadilho que usamos muito! A redação deste livro se baseou na minha experiência profissional, trabalhando por 10 anos na iniciativa privada – em empresas como Petróleo Ipiranga, Minasgás Distribuidora de Gás Combustível e Coca Cola – desenvolvendo soluções ambientalmente adequadas para o transporte de carga e a logística. Acrescente-se a isso a experiência acadêmica, com mestrado na área de transporte público e doutorado na área de energia e transporte, que me ajudaram e qualificaram para fazer pesquisa científica e usar adequadamente as bases de pesquisa da Elsevier, por exemplo”.

Detalhe: o livro é todo criado pelo autor. Até as figuras foram desenhadas por ele.

Para conhecer mais sobre as plataformas de informação científica usadas pelo autor clique aqui.

Para detalhes sobre o livro citado clique aqui.