Habilidades Socioemocionais do Educando

Por Ronaldo Mota - Chanceler da Estácio

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Os alunos de hoje são diferentes do que eram há poucas décadas atrás. Além deles já não serem os mesmos, tampouco o mundo nos quais eles estão imersos é similar a antes. Consequentemente, as exigências para um futuro profissional ter sucesso ou para um cidadão se sentir feliz e realizado diferem bastante do passado recente. Portanto, a pergunta central a ser respondida é: quais seriam as principais novas competências e habilidades que demandam ser promovidas e estimuladas nos estudantes, tal que os formandos enfrentem sem medo e com sucesso os desafios do futuro que já começou?

A principal exigência dos novos tempos é uma drástica mudança de foco em direção a privilegiar, com igual peso ao conferido à aprendizagem de conteúdos tradicionais, as chamadas competências metacognitivas e as habilidades interdisciplinares, transversais ou socioemocionais. Aqui estão inclusos aspectos motivacionais, capacidade de comunicação e as habilidades no desenvolvimento de trabalhos em equipe para resolver desafios complexos. Nas palavras premonitórias de A. Einstein, educar, no sentido amplo e complexo, transcende o simples ensinar conteúdos, ou “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que nos foi ensinado”.

No que diz respeito aos conhecimentos básicos, as três mais relevantes prioridades devem ser:

1) letramento geral, capacidade comprovada de escrever e interpretar texto, assim como o letramento matemático;

2) letramento digital, incluindo o domínio de plataformas e o preparo para compreensão, adoção e, se possível, desenvolvimento de softwares e aplicativos; e

3) capacidade de entender aspectos históricos, geográficos e linguísticos, respeitando diferentes culturas e comportamentos, desenvolvendo tolerância para especificidades, hábitos e costumes diversos, agregando de forma positiva as características peculiares aos propósitos das missões conferidas.

As sete principais características complementares que se espera de um futuro profissional diferenciado, adicionais ao domínio dos conteúdos fundamentais de cada área, é que o educando:

1) seja capaz de aprender a aprender continuamente ao longo da vida, ampliando sua própria consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição);

2) demonstre capacidade analítica para resolver problemas práticos, ou seja, embasado no conhecimento do método científico e na familiaridade com pensamentos críticos, desenvolva o domínio de raciocínios abstratos sofisticados;

3) esteja habituado a juntar diferenças áreas do saber, com especial disposição para a área de gestão de informações, incluindo o domínio de linguagens e de plataformas digitais;

4) tenha efetiva habilidade de comunicação, sabendo lidar com pessoas e a negociar com flexibilidade e competência em todos os contextos;

5) tenha inteligência emocional desenvolvida, incluindo perseverança, empatia, autocontrole e capacidade de gestão emocional coletiva;

6) demonstre disposição plena para o cumprimento simultâneo de multitarefas, propiciando capacidade de análises apuradas e de tomada de decisões; e

7) colabore em equipe de forma produtiva, sendo respeitoso e cordial, entendendo as características individuais e as peculiaridades das circunstâncias, promovendo ambientes criativos e empreendedores, resultantes de processos coletivos e cooperativos.

Em artigo anterior sobre o papel do docente contemporâneo, procurou-se demonstrar que a formação simplificada de um profissional, baseada em um conjunto de conteúdos e uma série bem delimitada de técnicas e procedimentos, já não é suficiente. Portanto, são demandadas a adoção pelas escolas de metodologias educacionais inovadoras e novas posturas do professor. Neste texto, a ênfase é centrada nos estudantes, especialmente em suas habilidades e competências imprescindíveis em uma sociedade onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. Neste contexto, a formação metacognitiva dos alunos e o desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais se constituem em diferenciais significativos, com impactos na capacidade dos futuros profissionais de enfrentarem, com sucesso, os desafios que lhes serão apresentados pela sociedade.

Sobre o Autor

RONALDO MOTA é chanceler do Grupo Estácio e atua nas áreas de novas tecnologias e metodologias inovadoras em educação. Anteriormente, foi professor titular de física da Universidade Federal de Santa Maria e pesquisador do CNPq; realizou pós-doutoramento nas universidades de Utah/Estados Unidos e da Columbia Britânica/Canadá; foi Professorial Visiting Fellow no Instituto de Educação da Universidade de Londres/Reino Unido; reitor da Universidade Estácio de Sá; secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação; secretário nacional de Educação Superior, secretário nacional de Educação a Distância e ministro interino do Ministério da Educação. Foi condecorado pela Presidência da República do Brasil como Comendador, na Classe Grã-Cruz, da Ordem do Mérito Científico Nacional.