Telemedicina e a transformação digital da saúde

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No mês de abril a Elsevier promoveu o “Dialogue”, evento cujo objetivo foi reunir profissionais do setor de saúde para debater um tema que está no centro das atenções deste mercado no país (e também no mundo): a utilização da Telemedicina. Para isso, trouxe ao Brasil seu Chief Medical Officer, Dr. Ian Chuang, e convidou os experts brasileiros Dr. Eduardo Cordioli, Gerente Médico de Telemedicina do Hospital Albert Einstein, Dr. Claudio Ferrari, Diretor de Parcerias Estratégicas e Inovação da Rede D’Or e Marcos Hume, Diretor de Acesso ao Mercado e Assuntos Públicos + “Evangelista” VBHC.

Sob o tema “Saúde Populacional e Telemedicina”, o evento teve como objetivo demonstrar que, através de tecnologias de apoio à decisão clínica, é possível ganhar eficiência no sistema de saúde. Também foi uma oportunidade para um diálogo sobre os principais desafios, ganhos, oportunidades, riscos e oportunidades que a Telemedicina traz ao sistema de saúde como um todo.

Abaixo, você pode conferir ideias e cenários que foram compartilhados pelos participantes do evento.

Telemedicina é um sistema que já existe há anos. O contato a distância, via dispositivo, acontece desde que os médicos passaram a disponibilizar seus telefones celulares para os pacientes, assim como hospitais que realizam comunicação via celular com os médicos. O que diferencia do que há disponível atualmente é a possibilidade de conectar os dados que vão de um ponto a outro, entre profissionais especializados e generalistas ou equipes multidisciplinares, entre o ponto de atendimento e um ponto remoto, além do acesso e o compartilhamento de informações constantemente atualizadas e capazes de apoiar a todos na melhor análise a distância e diagnostico.

A Telemedicina reduz barreiras de tempo, disponibilidade de profissionais, variabilidade do cuidado e localidade geográfica. É importante para que haja maior acesso da população à saúde. A entrega de cuidado precisa mudar ou não será possível sanar os grandes desafios da saúde do século XXI: crescimento populacional e acesso ao volume altíssimo de novos conhecimentos científicos.

Telemedicina é a medicina usando tecnologia de maneira racional. Pela natureza eletrônica do atendimento, usa-se a máquina para melhorar a eficiência dos médicos e, com isso, a consequente progresso da qualidade do atendimento ao paciente.

Primeiros passos

O debate Telemedicina é mundial e a adoção é importante para a sustentabilidade do sistema de saúde. A tecnologia é muito mais do que uma consulta online e remota: é um sistema que nasceu para melhorar a eficiência das instituições e dos profissionais.

O Hospital Albert Einstein já utiliza a Telemedicina de diversas maneiras: o paciente entra em contato com um médico de plantão, explicar os sintomas e verificar se realmente há a necessidade de ir ao Pronto Socorro. Com as “Tele-especialidades” é possível agendar consultas com diversos profissionais.

Na Rede D’Or as equipes de localidades distintas se reúnem via teleconferência semanalmente para discutir casos de oncologia, o que colabora com a melhora no tratamento do paciente.

Inteligência aumentada

De acordo com o Dr. Eduardo Cordioli dos grandes dilemas da utilização da Telemedicina no Brasil é a mítica de que pode diminuir o escopo de trabalho dos médicos. Nada mais longe da realidade! Existe um grande escopo de atividades que podem ser realizadas e, ao aumentar a eficiência, os profissionais podem aumentar o número de consultas realizadas, com êxito maior. Há também a possibilidade de gerir sistemas integrados de hospitais e operadoras de seguro saúde.

Muito se discutiu sobre a necessidade de informar aos médicos que a utilização da Telemedicina é positiva, já que a gestão da saúde deixa de ser solitária (médico-paciente) para ser colaborativa e compartilhada. Ao invés de pensar em inteligência artificial “tomando o espaço do médico”, o correto é pensar em “inteligência aumentada”, ou seja, informações que complementam as habilidades cognitivas dos seres humanos e que que promovem a medicina com suporte à decisão, ou seja: a máquina dá mais suporte para tomar a decisão correta.

Para o trabalho nos hospitais, também há grandes benefícios! No atendimento Primário, é possível realizar pronto-atendimento virtual evitando, assim, a presença física no hospital (e os riscos que isso pode causar). Dessa maneira, além de não se expor desnecessariamente a problemas de saúde mais graves, o paciente deixa a presença para quem realmente precisa de atendimento emergencial.

Já no Secundário, a Telemedicina colabora com o acesso da população a profissionais em todas as especialidades que estão à disposição no formato tradicional de consulta. Em um país de dimensões continentais, se torna imprescindível para a democratização do cuidado.

No Terciário, existe a possibilidade de realizar monitoramento da UTI a distância. No Brasil, faltam cerca de 10.000 médicos intensivistas. A falta está ligada a escassez de profissionais habilitados para o trabalho e por não haver interesse em vagas disponíveis em cidades distantes dos grandes centros. Com a Telemedicina, é possível realizar visitas compartilhadas (especialista e médico presente no local) e diminuir consideravelmente o número da mortalidade. No caso do Einstein, o trabalho em conjunto da equipe do hospital com a equipe remota de um hospital no interior do Piauí trouxe uma redução de óbitos na UTI de 80% para 40%.

Soluções de Apoio à Decisão Clínica

Alinhado ao movimento, hoje tecnologias apoiam e qualificam ainda mais o atendimento ao ampliar o conhecimento. Dentre elas estão as Soluções de Apoio à Decisão Clínica (CDS, sigla em inglês), que trazem ganhos de eficiência no sistema de saúde. Com a utilização das CDS, entrega-se cuidado com qualidade, visto que oferecem um fluxo de atendimento com protocolos predeterminados que levam aos pacientes o mesmo tratamento e a mesma qualidade em diagnóstico. Dessa forma, cria-se uma cadeia independente, pautada em protocolos de atendimento baseados em evidência, o que é muito positivo para todos os envolvidos: paciente, equipe médica e multidisciplinar.

As CDS fornecem informação com segurança. Ao acionar esse volume de dados organizados, as instituições selecionam protocolos com parâmetros seguros que trazem mais confiança em fazer diagnósticos a distância. São, então, grandes aliados para que a Telemedicina seja muito mais do que um atendimento via vídeo. Esse atendimento se torna empoderado com as melhores referências científicas atualizadas e baseadas em evidência, que proporcionam a melhor jornada para o paciente. Promove também a diminuição de eventos adversos e a eficiência de todo o sistema, com acentuado valor agregado. Entre as opções estão soluções como o Clinical Key, que apoia o médico generalista a acessar conteúdos de qualidade, baseados em evidência, assim como o Patient Engagement/Education, que fornece aos pacientes informações sobre doenças e tratamentos.

Conclusões

A saúde muda conforme a sociedade muda. A tecnologia é uma realidade e este é o momento de a medicina de adaptar aos novos tempos. Com essa verdadeira revolução digital, os cuidados com a saúde também se transformarão.

O setor de saúde só vai melhorar quando houver a alternativa de todos mudarem. Todas as instituições devem participar desse processo e ser influenciadas beneficamente pela revolução. Todos devem sobreviver a essas mudanças e, para isso, é importante que melhoremos o sistema ao torna-lo mais eficiente.

Não há como pensar em cenário negativo. Todos perdem quando não se prioriza o paciente. A Telemedicina organiza os fluxos e, com mais tempo, os médicos podem se dedicar mais a pacientes que realmente precisam, a casos mais complexos! Medicina se faz em grupo, com troca e diálogo.

Também existe um universo a ser explorado e os primeiros passos estão sendo dados com a transformação digital na área da saúde. Neste setor, há um grande impacto dos dados. De acordo com o IDC, os dados de saúde crescerão para 2.314 Exabytes até o próximo ano, de um número de 153 Exabytes em 2013, com uma taxa de crescimento anual de 48%. Somente os provedores do Electronic Health Record (EHR) estão gerando enormes quantidades de dados estruturados e não estruturados. Esse mercado global deve crescer de cerca de US$ 23 milhões para US$ 32 milhões até 2023.

Os pacientes estão, portanto, no centro de onde esses dados precisam ser utilizados e podem ser desenvolvidos. Em última análise, para qualquer profissional de saúde, médico, enfermeiro ou empresa de TI da área de saúde, o objetivo comum é reduzir a variabilidade na prática, personalizar o atendimento aos pacientes e melhor tratá-los para reduzir o impacto dos danos e fornecer melhores resultados.

A Telemedicina vem como uma excelente alternativa para ligar esses pontos e possibilitar o melhor atendimento aos pacientes. Ao utilizar soluções que interligam conhecimento atualizado e baseado em evidências com dados estruturados e a experiência dos profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e radiologistas, entre outros, cria-se um conjunto de práticas seguras e eficientes para que o setor possa se manter sustentável no futuro.

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