Soluções para infertilidade

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¹Certos tipos de infertilidades provocadas por número ou mobilidade inadequados de espermatozoides ou pela obstrução das tubas uterinas são atualmente tratáveis por fertilização de um ovócito in vitro e pela transferência de um embrião em clivagem para o trato reprodutivo da mulher. A aplicação sequencial de várias técnicas que foram inicialmente desenvolvidas para a reprodução assistida de animais domésticos, como vacas e ovelhas, é necessária. As técnicas relevantes são: estimulação da produção de gametas,  obtenção dos gametas masculinos e femininos, armazenamento dos gametas, fertilização dos óvulos, cultura dos embriões em clivagem in vitro, preservação dos embriões, e introdução dos embriões no útero.

Representação procedimento de fertilização in vitro e de transferência de embrião em humanos

FERTILIZAÇÃO IN VITRO E CULTURA DO EMBRIÃO

Três ingredientes para a fertilização in vitro bem-sucedida são os seguintes: óvulos maduros; espermatozoides ativos, normais; e um ambiente de cultura apropriado. Ter ovócitos que são adequadamente maduros é um dos fatores mais importantes na obtenção da fertilização in vitro bem-sucedida. Os óvulos aspirados de uma mulher estão, às vezes, em estágios diferentes de maturidade. Óvulos imaturos são cultivados por um tempo curto para se tornarem mais fertilizáveis. Os óvulos aspirados são revestidos pela zona pelúcida, corona radiata e uma quantidade variável de tecido do cúmulus oophorus. Os espermatozoides frescos ou congelados são preparados pela separação, o máximo possível, do líquido seminal. O líquido seminal reduz a sua capacidade de fertilização, parcialmente porque ele contém fatores de descapacitação. Após a capacitação, que em humanos pode ser realizada pela exposição dos espermatozoides a certas soluções iônicas, um número definido de espermatozoides é adicionado a uma cultura em uma concentração de 10.000 a 500.000/mL. As taxas de fertilização in vitro variam de um centro para outro, mas 75% representa uma média realista.

Em casos de infertilidade provocada por oligospermia (pouquíssimos espermatozoides) ou porcentagem extremamente alta de espermatozoides anormais, múltiplos ejaculados podem ser obtidos durante um período prolongado. Esses são congelados e reunidos para obter o número adequado de espermatozoides viáveis. Em determinados casos, alguns espermatozoides são microinjetados no espaço perivitelino no interior da zona pelúcida. Embora esse procedimento possa compensar números muito pequenos de espermatozoides viáveis, ele introduz o risco de polispermia porque a função normal de barreira da zona pelúcida é ultrapassada. Uma variante mais recente de fertilização in vitro é a injeção direta de um espermatozoide em um ovócito. Essa técnica foi usada em casos de insuficiência grave de espermatozoides.

O sucesso inicial da fertilização in vitro é determinado no dia seguinte pelo exame do ovo. Se dois pró-núcleos são evidentes, a fertilização é assumida como tendo ocorrido. A clivagem in vitro de embriões humanos é mais bem-sucedida do que da maioria das outras espécies de mamíferos. Geralmente é permitido que os embriões se desenvolvam ao estágio de duas a oito células antes de serem considerados prontos para a implantação no útero.

Tipicamente, todos os óvulos obtidos de ovulações múltiplas da mulher são fertilizados in vitro durante o mesmo período. Existem razões práticas para fazer isso. Uma é por causa da baixa taxa de sucesso na transferência do embrião, a implantação de mais de um embrião (geralmente até três) no útero ao mesmo tempo é aconselhável. A outra razão é financeira e também se refere à baixa taxa de sucesso na transferência do embrião. Os outros embriões, além daqueles usados durante o procedimento inicial, são armazenados para utilização futura se a primeira transferência do embrião não tiver êxito. O armazenamento salva uma grande quantidade de tempo e milhares de dólares para o paciente.

TRANSFERÊNCIA DO EMBRIÃO NA MULHER

A transferência do embrião na mulher é tecnicamente simples; mas esta é a etapa em que toda a operação está sujeita à maior taxa de insucesso. Tipicamente, somente 30% das tentativas de transferência de embriões resultam em uma gravidez viável. A transferência do embrião é normalmente realizada pela introdução de um cateter através do colo na cavidade uterina e a expulsão do embrião ou embriões do cateter. A paciente permanece quieta, preferencialmente deitada, por várias horas após a transferência do embrião. As razões para a baixa taxa de sucesso da transferência do embrião são mal compreendidas, mas o número de gestações completas após a fertilização in vitro normal também é passível de ser apenas cerca de um terço. Se a implantação normal ocorrer, o restante da gravidez é tipicamente sem intercorrências e é seguida por um parto normal.

¹Trecho retirado integralmente da 5ª edição do livro Embriologia Humana e Biologia do Desenvolvimento.

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