Leishmaniose se prolifera rapidamente no Oriente Médio

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Com a crise na Síria e o aumento de refugiados, um surto ‘’catastrófico’’ da doença vem se espalhando pelo Oriente Médio. Há dois anos a doença é endêmica na Síria – o primeiro caso foi diagnosticado em 1745 -, mas antes da guerra estava restrita a duas zonas ao redor de Aleppo e Damasco. Com o aumento do número de imigrantes, estima-se que os casos de infectados já pode superem 100 mil por ano, alertam os pesquisadores.

Um artigo publicado na revista científica PLoS Neglected Tropical Diseases, informa que a Leishmaniose afeta centenas de milhares de refugiados e pessoas que se encontram em zonas de conflito. Os autores do artigo atribuem este aumento ao “deslocamento em massa da população dentro do país e alterações no habitats do flebotomínio (mosquito transmissor)”. E advertem que “situação semelhante também pode estar ocorrendo no leste da Líbia e Iêmen”, que também são zonas de guerra.

AÇÃO IMEDIATA

Os autores do estudo pedem “ação imediata” contra o atual surto de leishmaniose. Recomendam também, medidas de fornecimento de água potável, alimentos, serviços de higiene e moradia adequada para sanar novas infecções e oferecer condições de vida melhores para os refugiados.

A leishmaniose é endêmica em 70 países. Casos já foram notificados em todos os continentes, exceto na Austrália e Antártida. Os pesquisadores alertam que se o surto não for tratado rapidamente, “pode trazer consequências inesperadas”.

A Organização Mundial da Saúde – OMS estima que os casos mundiais de leishmaniose alcançam 1,3 milhão por ano, com 20 mil a 30 mil mortes.

O QUE É LEISHMANIOSE

¹A leishmaniose é uma infecção por protozoários, transmitida principalmente por mosquitos, causada pelos microrganismos do gênero Leishmaniose. A Leishmaniose associada ao HIV pode ocorrer nas regiões endêmicas e não endêmicas do mundo. As áreas endêmicas incluem a bacia do Mediterrâneo, Índia, leste da África, Sudão e Brasil. Os indivíduos que nasceram em áreas endêmicas ou viajaram para lá também podem desenvolver a doença, apontando para a recrudescência de uma infecção latente previamente controlada. Uma diminuição na incidência de leishmaniose visceral após a introdução da ART foi observada em vários países do Mediterrâneo.

Múltiplos órgãos podem ser parasitados, e, quando a pele está comprometida, as lesões se apresentam como nódulos ulcerados ou placas de até 2 cm em diâmetro nas extremidades. Apresentações atípicas em pacientes infectados pelo HIV incluem lesões disseminadas, eritema difuso e endurecimento, e ulcerações necróticas grandes. Erosões e ulcerações de lábios, palato e mucosa nasal podem ser vistas em formas mucocutâneas. Se não tratadas, a destruição das estruturas cartilaginosas podem resultar em desfiguração. Febre, hepatoesplenomegalia e vários graus de pancitopenia também podem estar presentes.

O diagnóstico de leishmaniose cutânea é estabelecido por microscopia, cultura in vitro ou PCR do tecido lesado. Em pacientes infectados pelo HIV, a anfoterecina B, que age por mecanismos independentes da célula T, apresenta melhor resultado que os antimônios pentavalentes. Num estudo clínico aberto randomizado, a miltefosina oral – ésteres fosfocolinos hexil – e anfotericina B tiveram índices de cura semelhantes.

¹Trecho retirado da 3ª Edição de Dermatologia, Elsevier

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