DOENÇA VIRAL

A mucosa oral pode ser o alvo de infecções de diversos tipos diferentes de vírus, cada um produzindo uma característica clínica distinta ( Tabela 1-1 ).  Os herpes-vírus são uma grande família de vírus caracterizados por um núcleo de DNA rodeado por um capsídeo e um envelope. Sete tipos de herpes-vírus são conhecidos por serem patogênicos em humanos, e seis deles relacionados com as doenças da região de cabeça e pescoço.

Infecção pelo Herpes Simples

As infecções pelos vírus do herpes simples (HSVs) representam erupções vesiculares comuns da pele e da mucosa. Elas ocorrem de duas formas: primária (sistêmica) e secundária (localizada). Ambas as formas são autolimitantes, mas as recorrências das formas secundárias são comuns porque o vírus pode ficar aprisionado dentro do tecido ganglionar em estado latente. O propósito do tratamento é, mais do que a cura, o controle dos sintomas.

Patogênese. O contato físico com um indivíduo infectado ou com fluidos corpóreos é a via típica de inoculação do HSV e transmissão para indivíduos soronegativos que não foram previamente expostos ao vírus, ou possivelmente para algum indivíduo com baixo título de anticorpos contra o HSV.

O vírus se liga à superfície epitelial via heparan sulfato, que leva à inserção citoplasmática transmembrânica, seguido da ativação sequencial de genes específicos durante a fase lítica da infecção. Esses genes incluem tipos precoce e precoce imediato, codificando proteínas regulatórias e para a replicação do DNA, e genes tardios, que codificam proteínas estruturais. A documentação da propagação da infecção através de gotículas de saliva, água contaminada ou contato com objetos inanimados é geralmente escassa.

Durante a infecção primária, apenas uma pequena porcentagem dos indivíduos apresenta sinais clínicos e sintomas de infecção sistêmica, enquanto a vasta maioria apresenta apenas doença subclínica. Este último grupo, agora soropositivo, pode ser identificado por meio da detecção laboratorial de anticorpos circulantes contra o HSV. O período de incubação após a exposição varia de alguns dias a duas semanas. É evidente da doença primária uma erupção vesiculoulcerativa (gengivoestomatite primária) que ocorre tipicamente nos tecidos orais e periorais.

O local da erupção geralmente ocorre no local do contato inicial. Após a resolução da gengivoestomatite herpética primária, acredita-se que o vírus migra, por meio de um mecanismo ainda desconhecido, através da bainha do axônio do nervo trigêmeo até o gânglio trigeminal, onde é capaz de permanecer em estado latente. Durante a latência, não há produção de infecção viral e nenhum vírus livre está presente; assim como não ocorre expressão de antígeno de histocompatibilidade maior (MHC) e não há resposta mediada por células T.

*Trecho retirado do livro PATOLOGIA ORAL CORRELAÇÕES CLINICOPATOLÓGICAS – 6ª EDIÇÃO

Conheça este e outros livros de Odontologia da Elsevier.

Share
Tweet
Share
Share