É necessário pensar políticas para diminuir o consumo de bebidas com adição de açúcar

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Recentemente a revista médica The Lancet, que é publicada no mundialmente pela Elsevier, realizou um estudo olhando para um tema já amplamente debatido: o consumo de bebidas adoçadas com açúcar. Os pesquisadores Barry Popkin e Corina Hawkes, traçaram rankings de países que mais consomem esse tipo de bebida, e uma das descobertas é que o mercado norte americano já não é o líder de consumo, caindo para a terceira posição.

A América Latina, mais especificamente o Chile  é o maior consumidor de bebidas açucaradas,  com uma média de 190 calorias vendidas por pessoa, ao dia. China, Tailândia e Brasil – que ocupa o décimo lugar – também têm visto um aumento nas vendas.

Segundo os pesquisadores, houve uma queda significativa no consumo de refrigerantes em alguns países, mas houve um aumento na venda de sucos de frutas, bebidas com sabor artificial e as energéticas contendo altos teores de açúcar.

A pesquisa do The Lancet mostra que no México, iniciativas como campanhas voltadas à população para reduzir o consumo deste tipo de bebida aliadas a uma política controversa de aumento de impostos têm conseguido resultados positivos.

NA ÍNTEGRA A CONCLUSÃO DA PESQUISA PUBLICADA PELA THE LANCET

As evidências sugerem que a ingestão excessiva de açúcares adicionados tem efeitos adversos sobre a saúde cardiometabólica, o que é consistente com muitos comentários e relatórios de consenso da Organização Mundial da SaúdeOMS e de outras fontes imparciais. Ao todo, 74% dos produtos no fornecimento de alimentos dos Estados Unidos contêm adoçantes calóricos ou de baixas calorias, ou ambos. De todos os alimentos embalados e bebidas comprados por uma amostra nacionalmente representativa de domicílios dos EUA em 2013, 68% (em proporção de calorias) contêm adoçantes calóricos e 2% contêm adoçantes de baixas calorias. Acreditamos que, na ausência de intervenção, o resto do mundo vai avançar para essa difusão da adição de açúcares no fornecimento de alimentos. A nossa análise de tendências em vendas de bebidas adoçadas com açúcar ao redor do mundo, em termos de calorias e o volume vendido por pessoa por dia, mostra que as quatro regiões com o maior consumo são: América do Norte, América Latina, Austrália, e Europa Ocidental. O crescimento mais rápido absoluto nas vendas de bebidas adoçadas com açúcar por país foi visto no Chile. Acreditamos que é necessário agir para combater os altos níveis e crescimento contínuo nas vendas de tais bebidas em todo o mundo. Muitos governos iniciaram ações para reduzir o consumo de bebidas adoçadas com açúcar nos últimos anos, incluindo a tributação (por exemplo, no México); redução de sua disponibilidade nas escolas; restrições à comercialização de alimentos açucarados para crianças; campanhas de conscientização pública; e rotulagem positiva e negativa na frente da embalagem. Em nossa opinião, a prova da eficácia destas ações mostra que eles estão se movendo na direção certa, mas os governos devem vê-las como um processo de aprendizagem e melhorar o seu projeto ao longo do tempo. Um dos principais desafios para os decisores políticos e pesquisadores é a ausência de um consenso sobre a relação das bebidas com adoçantes de baixas calorias e sucos de frutas com desfechos cardiometabólicos, já que as decisões sobre se estes são substitutos saudáveis ​​para bebidas adoçadas com açúcar são uma parte integrante da formulação de políticas.

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